Lily Farias
Tubarão
A rotina de levantar cedo, dar banho nas crianças, preparar as refeições, levar e buscar na escola muitas vezes faz parte da vida da mãe. A frase, contudo, deve ser refeita no passado. Hoje, este papel mudou e quem vive esta experiência são eles, os pais solteiros.
A velha máxima de que pai serve apenas para responder aos filhos onde está a mãe não funciona com o trabalhador autônomo Loreni Tadeu Sartor, 54 anos. Há três anos ele assumiu o papel de cuidador integral das filhas Maria Clara, 5, e Maria Eduarda, 7.
Desde o falecimento da esposa em um acidente de trânsito, Loreni deixou de lado sua vida pessoal para cuidar das filhas. Uma das maiores dificuldade é explicar para as duas princesinhas o significado da morte.
As meninas perderam a mãe em decorrência de um atropelamento de motocicleta. A mulher voltava da escola com a Maria Clara, na época com dois anos. Apesar de menores, o acidente marcou a vida das meninas. Paciente, papai Loreni tenta contornar a situação da forma mais carinhosa possível.
“Elas me perguntam onde está a mamãe. Respondo que ela agora é uma estrelinha e está no céu olhando por elas. Então elas me dizem que a mãe é a estrela mais brilhante que tem”, conta Loreni, com emoção.
A saudade é constante na vida dos três, mas não a ponto de abalar o amor incondicional que os une. Onde Loreni vai, as filhas vão com ele. O paizão procura entretê-las e proporcionar momentos de alegria para que elas superem, sem traumas, a perda da mãe.
“Tento dar o maior tempo de felicidade possível para elas. Só quero vê-las felizes. Vamos para a praia quase todo fim de semana e passamos o dia todo brincando. Não as deixo de lado nem para ir aos jogos de futebol. Seu eu vou, elas vão comigo”, detalha Loreni.
“Somos, acima de tudo, amigos”
Estudante do curso de agronomia da Unisul, de Tubarão, Mylena Medeiros, 19 anos, tem o pai, o empresário Valentin Medeiros, como referência para tudo. Nos estudos, nos relacionamentos com amigos ou namorado, o paizão sempre está lá para orientar e dar a sua opinião em relação as decisões da filha. Uma interação que a própria jovem reconhece ser diferente, já que as meninas de sua idade, em sua maioria, não têm uma relação de convívio com o pai.
Eles não moram juntos. Vivem em casas separadas desde o fim do casamento do pai. Na época Mylena tinha cinco anos e foi embora com a mãe. Hoje, eles moram próximos um do outro e conservam um amor incondicional. Valentin afirma ser um pai presente e procura fala com a filha todos os dias.
“Não importa a forma. Se é pessoalmente, por telefone, mensagem. Quando não tenho contato com ela por um dia, a sensação que tenho é de abandono”, brinca o empresário. Valentin confessa que Mylena é referência para tudo em sua vida e está disposto a qualquer coisa para lhe garantir um futuro promissor. “Estou orgulhoso de vê-la na faculdade, mas já sogro por antecipação. Ela pretende ir para o Mato Grosso, onde tem um campo de atuação maior. Meu coração já está doendo, mas sei que é por um bom motivo”, choraminga Valentin.
Mylena é ciente que a separação do pai é inevitável, por isso já prepara o coração do ‘velhão’ para quando este dia chegar. “Todo mundo se desgruda do pai um dia, comigo não vai ser diferente. Mas não importa em que lugar eu esteja, ele estará comigo sempre”, admite Mylena, para orgulho do paizão.

